A Chama de Canaã
As muralhas de Hazor tremiam sob um céu vermelho como sangue coagulado, cortado por relâmpagos que pareciam gritar em agonia. Era o século XII antes de Cristo, e Canaã, colônia do poderoso Vaticano assentado nas terras pré-Roma da Itália, agonizava no caos. A cidade, cravada no norte do Levante, na Galileia Superior, cheirava a cinzas e podridão, com o mercado outrora vibrante reduzido a barracas queimadas e ruas manchadas de vermelho pela névoa maligna que rastejava como uma serpente viva. O templo central, erguido para o Papa, Deus da Criação, estava profanado, seus altares de pedra cobertos de sangue seco e gravados com símbolos heréticos que pulsavam com uma luz profana. Hazor, fortaleza estratégica do Vaticano, estava à beira do colapso, enquanto os Povos do Mar devastavam o Levante, enfraquecendo o jugo egípcio e abrindo brechas para a traição florescer.
No coração dessa tormenta, a Irmandade do Véu Escarlate se erguia como uma praga. Formada por traidores do Vaticano, nobres cananeus e xamãs fanáticos, a Irmandade jurava destruir a soberania religiosa do império. Elior, um ex-sacerdote de olhos fundos e voz venenosa, liderava os traidores, sua mente torcida pelo exílio que sofreu por estudar textos proibidos. Ele via o Vaticano como uma tirania que sufocava a verdadeira fé, e acreditava que Satã, o imperador do inferno, traria liberdade. Tamar, governante de Sidon, movida por um nacionalismo feroz, cuspia no domínio do Vaticano, sonhando em restaurar os cultos a Baal e Astarte com sua riqueza e exércitos de mercenários. Zohar, um xamã de cabelos grisalhos e mãos manchadas de sangue, comandava os fanáticos, sacrificando inocentes para invocar o Eco de Satã, uma sombra do imperador infernal que não era o próprio demônio, mas uma força destrutiva o suficiente para desafiar o divino. Juntos, eles brandiam o Coração de Ébano, um artefato de obsidiana desenterrado das cavernas sob Hazor, que vomitava a maldição do Véu Escarlate: uma névoa vermelho-sangue que corroía runas sagradas, incendiava o solo e transformava cidadãos em bestas enlouquecidas, brandindo machados e tochas enquanto gritavam hinos profanos.
São Gabriel, o ápice militar do Vaticano, era a última esperança de Canaã. Aos 45 anos, ele era um colosso de fé e fúria, com olhos que ardiam como brasas e uma determinação que fazia até os cavaleiros tremerem. Enviado da Itália pelo Papa Arceu, Gabriel chegava a Hazor com os Cavaleiros religiosos, suas armaduras refletivas brilhando sob o céu vermelho, espadas encantadas nas mãos e cruzes penduradas nos peitos. Ele carregava o Crucifixo Cantor, uma obra-prima de prata gravada com runas que amplificava suas orações, além de pergaminhos encharcados de água benta e uma lança imbuída com suas próprias invenções. Gabriel não era apenas um guerreiro; ele era um revolucionário. Criara o crucifixo cantor,que amplifica a área de suas orações, Inventara a Oração Salmo de Sangue, que transformava o sangue dos inimigos em explosões de energia sagrada. Ele descobrira como imbuir armas com orações, fazendo espadas cortarem como relâmpagos divinos, e desenvolvera uma técnica de selamento com pergaminhos molhados de água benta, que, colocados na testa de um alvo, selavam entidades em seu pergaminho. Mas sua maior criação era a oração Ave Maria, um cântico que iluminava a área com energia sagrada e destruía tudo que era profano.
Gabriel olhava para Hazor e via não apenas uma colônia, mas o coração da fé do Vaticano. Ele jurou, com a voz cortante como uma lâmina: “Eu não vou permitir que o Vaticano sucumba pra maldição demôniaca” Quando capturou um traidor da Irmandade, seus olhos faiscaram ao sentenciar: “Se ameaçarem meu império, sua família vai pagar com a vida.” Ele organizou os Cavaleiros da Luz no outpost cercado, onde sacerdotes tremiam e cidadãos leais rezavam em porões. A névoa vermelho-sangue já corroía as muralhas, e multidões enlouquecidas, com olhos vidrados e machados erguidos, avançavam gritando louvores a Satã. Gabriel ergueu o Crucifixo Cantor, e sua voz ecoou com a Oração Ave Maria, desencadeando uma cúpula de luz que rasgou a névoa como um trovão, purificando dezenas de possuídos que caíram de joelhos, livres da maldição. Ele avançou pelas ruas, sua lança brilhando com orações, cortando fanáticos enquanto os outros religiosos, com espadas encantadas, abriam caminho entre as chamas.
No templo profanado, o confronto final incendiou a noite. Elior, com grimórios heréticos abertos, invocava chamas negras que dançavam como serpentes, gritando: “O Vaticano é uma tirania! Satã nos libertará!” Tamar liderava guerreiros cananeus, seus escudos reforçados bloqueando os golpes dos cavaleiros. Zohar, no altar, derramava sangue no Coração de Ébano, fortalecendo o Eco de Satã, uma entidade de chamas escuras que rugia, incendiando o ar com ondas de destruição. Gabriel, sem hesitar, recitou a Oração Salmo de Sangue, e o sangue dos guerreiros mortos explodiu em rajadas de energia sagrada, pulverizando as chamas de Elior. Com sua lança encantada, ele atravessou o peito de Tamar, que caiu com um grito de desafio. Enfrentando Zohar, Gabriel pegou um pergaminho encharcado de água benta, colocou-o na base do Coração de Ébano, e entoou um selo sagrado. Uma cruz mística brilhou, envolvendo o Eco de Satã em correntes de luz, selando-o para sempre. Elior e Zohar tombaram sob espadas encantadas, e Gabriel, com um rugido, ordenou a execução dos traidores e suas famílias, cumprindo sua promessa cruel.
Mas a vitória teve um preço. Uma chama do Coração de Ébano acertou Gabriel, queimando sua carne. Ele caiu no templo, segurando o Crucifixo Cantor, sua luz ainda brilhando enquanto sua vida se apagava. Hazor foi salva, mas estava em ruínas. O templo, reconstruído como um santuário do Vaticano, ganhou uma cruz de pedra gravada com a Oração Ave Maria, um monumento à fé e à fúria de Gabriel e após retornar ao vaticano foi nomeado o segundo São da história graças a seus feitos e invenções. As muralhas foram reforçadas, mas o solo, queimado pela maldição, tornou-se estéril, forçando Hazor a depender de Byblos para sobreviver. O mercado, aos poucos, voltou à vida, mas as pedras ainda carregavam marcas das chamas. Politicamente, Canaã se curvou ao Vaticano, com novos governadores enviados da Itália e fortalezas erguidas em Megido, Sidon e Jericó. A soberania religiosa foi restaurada, mas a crueldade de Gabriel, especialmente a execução das famílias, gerou sussurros de medo entre os colonos, que viam o Vaticano como uma força tão divina quanto opressiva.As inovações de Gabriel — a Oração Ave Maria, a Oração Salmo de Sangue, o Crucifixo Cantor, o selamento com pergaminho, o fortalecimento de armas — foram gravadas em grimórios, espalhando-se pelas colônias do Vaticano. O Crucifixo Cantor virou um símbolo sagrado, carregado por sacerdotes em Byblos e Jerusalém, e sua luz ecoaria em cruzadas futuras. Hazor, agora um bastião do Vaticano, tornou-se um marco de resistência, mas também de temor, pela memória do santo cruel que salvou Canaã com sangue e luz.