Em 91 d.C., a Eurásia era lar de 50 mil dragões, criaturas enormes com escamas duras e rugidos que faziam o chão tremer. A maioria vivia na China, onde a Dinastia Han Oriental os via como símbolos de poder, com templos cheios de estátuas de dragão. Mas a ganância tomou conta. Regiões pela Eurásia começaram a espalhar propagandas: na China, falavam que as peles dos dragões valiam fortunas; na Escandinávia, caçar dragões de gelo era questão de honra; no Vaticano, o Império Religioso, seguidor do Papismo com raízes de 4 milhões de anos, dizia que dragões eram aliados de demônios, e suas almas e magias serviam pra rituais anti-demônios. Assim começou a Caça aos Dragões, uma matança que durou 214 anos, movida por grana e poder, quase apagando os dragões do mapa.
Na China, a corte de Lóngquán virou a maior máquina de caça. O líder, Lóngquán, era um guerreiro coberto de cicatrizes, com um implante esquisito: uma cabeça de dragão viva no braço direito, tirada de um dragão das montanhas de Yunnan, que cuspia fogo quando ele queria. Ele tinha sangue de dragão, uma linhagem rara que deixava ele absorver almas de dragões mortos, ganhando poderes como força e resistência. Quando usava a Couraça de Dragão, sua pele ficava coberta de escamas douradas, e ele parecia mais bicho que homem. A corte saía caçando em florestas chinesas e nas ilhas quentes da Indonésia, como Java e Sumatra, matando dragões vermelhos que cuspiam fogo, verdes que se escondiam nas selvas, e até uns aquáticos com escamas brilhantes.
O ar ficava pesado com cheiro de sangue e cinzas. Cada dragão morto era desmontado: peles viravam armaduras caras, vendidas pela Rota da Seda pro Império Religioso e outros; ossos e dentes eram troféus; almas eram capturadas em rituais com fumaça e cânticos, usadas pra magias ou enviadas pro Vaticano. A China ficava mais rica, mas os templos de dragões, antes cheios, viravam ruínas. Lóngquán não traía a China — a caçada trazia grana pro império Han. De 93 d.C. a 126 d.C., a corte acabou com os principais dragões da China e Indonésia, como o Dragão de Jade, cuja alma, dizem, turbinou o implante de Lóngquán. Mas ele envelheceu, e em 126 d.C., cansado e cheio de marcas, se aposentou num vilarejo nas montanhas, onde morreu de velhice. Sem ele e outros líderes, a corte perdeu o gás, e a caçada na Ásia diminuiu, com os dragões sobreviventes se escondendo pelo resto da Eurásia.
A matança não parou. Na Europa, o Império Religioso caçava dragões pra pegar magias e almas pros seus rituais anti-demônios, enquanto as peles enchiam os bolsos. Na Escandinávia, guerreiros nórdicos enfrentavam dragões de gelo, com escamas brancas e sopro que congelava tudo, pra provar coragem. Os dragões, agora bem menos que os 50 mil iniciais, se escondiam em cavernas e montanhas. Foi aí que São Jorge apareceu, nascido em 275 d.C., um cara com fé no Papismo e um dom raro: o sangue de dragão. Ele podia absorver almas de dragões mortos, ficando mais forte e resistente. Com várias almas, ele ativava a Couraça de Dragão, que cobria ele com escamas prateadas, dava garras e olhos de réptil, deixando ele quase imbatível.
No começo, Jorge montava um cavalo branco grande, carregando uma lança grande e sagrada, encantada com magia anti-demônio pelo Império Religioso. Ele cruzava desertos e florestas, matando dragões com golpes certeiros, virando o maior caçador solo, com mais mortes que qualquer outro. Tudo mudou quando ele achou Santrax, um dragão jovem, quase adulto, órfão, com escamas cinza-prateadas, largado numa caverna na Anatólia depois que sua ninhada foi dizimada, provavelmente pela corte de Lóngquán. Em vez de matar, Jorge deu comida e cuidado. Santrax, meio desconfiado, acabou virando parceiro. Jorge o domou, e o dragão virou sua montaria. Juntos, voavam por aí, com Jorge cravando a lança e Santrax usando garras e um sopro de fumaça pra desorientar dragões inimigos. A dupla caçava de tudo, do Cáucaso às estepes, com Jorge absorvendo almas pra turbinar a Couraça.
Em 300 d.C., o maior confronto da caçada aconteceu. O Rei Dragão, o bicho mais brabo de todos, com escamas negras e olhos que pareciam fogo, resolveu vingar sua espécie. Ele liderava os dragões há milhares de anos, e a matança da corte de Lóngquán e de caçadores como Jorge o deixou furioso. Ele voou pro Vaticano, o centro do Império Religioso, e começou a destruir tudo, com chamas e trovões que derrubavam muralhas. O lugar cheirava a enxofre, e o barulho era ensurdecedor. Jorge, montado em Santrax, foi chamado pra enfrentar o monstro.
O confronto foi bruto. Jorge ativou a Couraça de Dragão, com escamas brilhando como metal, e levantou sua lança sagrada, que parecia pulsar com luz. Santrax voava rápido, desviando de fogo e garras do Rei Dragão, enquanto Jorge tentava acertar. O Rei Dragão era um monstro, jogando trovões que abriam o chão e chamas que queimavam tudo. A luta durou horas, com o campo virando um mar de cinzas e sangue. Santrax usava sua fumaça pra confundir, dando brechas pra Jorge atacar. No fim, Jorge enfiou a lança no coração do Rei Dragão, que caiu com um rugido que fez o ar tremer. O Vaticano foi salvo, e Jorge, sujo de sangue e cinzas, foi nomeado santo. Só que a vitória acabou com os dragões, que ficaram mais fracos que nunca, com só algumas centenas vivos, escondidos em buracos pela Eurásia.
A fama de Jorge virou um problema. Os escandinavos, que caçavam dragões de gelo e viam o Império Religioso como rival, decidiram que ele era perigoso demais. Em 303 d.C., sabendo que Jorge tava caçando dragões de gelo no norte, eles armaram uma emboscada. Num desfiladeiro congelado, com vento gelado e neve caindo, Jorge e Santrax tavam voando quando o chão tremeu. Uns doze dragões de gelo, com escamas brancas e sopro que congelava, apareceram, guiados por guerreiros nórdicos com armaduras de couro e machados encantados. Um exército de caras com cara pintada cercou eles, gritando alto. Santrax lutou, jogando fumaça e rasgando com garras, e Jorge matou dois dragões de gelo com a lança, com sangue azul espirrando na neve. Mas eram muitos. Os nórdicos jogaram uma rede de correntes místicas, prendendo Santrax, que rugiu de raiva. Jorge caiu, sem arma, e foi pego.
Levaram Jorge pra uma fortaleza de pedra e gelo. Os escandinavos, com olhares duros, torturaram ele, querendo que negasse o Papismo e se juntasse a eles. Jorge, machucado e com a Couraça falhando, não cedeu. Em 303 d.C., sob um sol fraco, eles enfiaram uma lança no peito dele, matando o santo. Santrax, preso, deu um rugido que ecoou pelas montanhas, mas dizem que ele escapou, ferido, sumindo no norte pra nunca mais ser visto.
Sem Jorge, a caçada continuou por mais dois anos, mas já tava no fim. Em 305 d.C., só 100 dragões sobraram — 0,2% dos 50 mil iniciais. Eles se escondiam em cavernas e ilhas, e a cultura dos dragões sumiu. A China ganhou grana com peles e magias, mas perdeu sua ligação com os dragões. O Império Religioso usou a morte de Jorge pra reforçar a propaganda do Papismo, dizendo que ele era um mártir. Os escandinavos, que mataram Jorge, ficaram mais fortes no norte, mas a caçada perdeu força no mundo todo. A Eurásia, que já foi cheia de rugidos, virou um lugar quieto, com as marcas de uma guerra que acabou com uma espécie inteira.