O Extermínio dos Bruxos

As selvas de Lan Xang vibravam com uma energia maligna, o ar pesado com um cheiro de podridão que não explicava. Era 1354 d.C., e as regiões de Laos, Camboja, Myanmar, Tailândia e Indonésia sofriam sob uma praga invisível: vilarejos assolados por febres, plantações murchando sob maldições, e sombras que pareciam rastejar sozinhas. No coração desse caos estava a magia negra, uma das quatro artes proibidas, manejada por bruxos e bruxas que desafiavam os princípios de harmonia budista. Fa Ngum, imperador e um dos 22 Budas, sentia a corrupção como uma ferida em sua alma. Com olhos faiscando como chamas douradas, ele reuniu monges e guerreiros, jurando extinguir essa praga que envenenava sua terra. A magia negra era uma força temida, dividida em quatro domínios sombrios. Seus praticantes desenhavam pentagramas e sigilos para invocar entidades do inferno ou lançar maldições que enfraqueciam exércitos. Moldavam escuridão viva, criando névoas que cegavam ou lâminas de sombra que cortavam como aço. Transformavam ossos de sepulturas em armas ou muralhas, frágeis mas letais. E, no mais grotesco dos domínios, corrompiam carne morta, fazendo surgir tentáculos que se contorciam ou explosões orgânicas que devastavam campos de batalha. Esses bruxos, movidos por perversidade ou desespero, usavam pactos com demônios menores, trazendo-os à Terra em possessões incompletas — olhos negros e vozes guturais que aterrorizavam, mas nunca cruzavam totalmente do inferno. Entre os demônios, um nome ecoava em lendas antigas: GT, nascido no século XII a.C., um dos mais poderosos usuários de magia negra. GT dominava os quatro domínios, com uma maestria quase divina em rituais, sombras e corrupção, embora suas criações de ossos fossem instáveis. Ele não criou a magia negra, mas seus grimórios, como o Codex Tenebris, escritos milênios antes, inspiravam alguns cultos, sendo apenas uma peça no vasto quebra-cabeça dessa arte proibida. Fa Ngum marchava pelas selvas, seus monges entoando mantras que cortavam o ar como raios, dissipando névoas escuras que os bruxos conjuravam. Em um templo em ruínas no Camboja, ele enfrentou uma bruxa chamada Saiyara, líder de um culto que usava um fragmento de um grimório antigo, talvez ligado a GT. Ela desenhou um pentagrama que pulsava com energia infernal, invocando uma entidade que rugia em agonia, metade no inferno, metade na Terra. Tentáculos de carne explodiam do solo, corrompendo a terra ao redor, enquanto sombras dançavam, engolindo a luz das tochas. Fa Ngum, com uma barreira mística que brilhava como o sol nascente, neutralizou a invocação, e seus monges usaram cânticos para desfazer o pentagrama, reduzindo a entidade a cinzas. Saiyara tentou um último feitiço, lançando uma maldição que enfraquecia os guerreiros, mas Fa Ngum, com um gesto de sua mão espiritual, quebrou o encanto. A bruxa caiu sob uma lança imperial, e um aprendiz fugiu, levando o grimório para as profundezas da selva. Por quase um século e meio, Fa Ngum perseguiu esses cultos, enfrentando muralhas de ossos que se despedaçavam sob golpes e maldições que faziam seus homens tremerem. Cerca de 25 mil bruxos e bruxas tombaram, suas mortes marcando o declínio da magia negra na Ásia. Sobreviventes, raros o suficiente para serem contados nos dedos, esconderam-se em cavernas, carregando fragmentos de grimórios que sussurravam segredos antigos. Enquanto a Ásia silenciava suas sombras, a Europa mergulhava num pesadelo próprio. Por volta de 1500 d.C., o Sacro Império Romano Germânico e o Vaticano começaram a notar sinais de magia negra: pragas que devastavam vilarejos, colheitas que apodreciam, e relatos de rituais em florestas escuras. A Igreja, com sua influência de ferro, via esses praticantes como hereges, aliados de forças infernais. Entre 1550 e 1650 d.C., a caça virou uma febre, espalhando paranoia por França, Inglaterra e além. Bruxos operavam em covens secretos, escondidos em porões ou florestas, usando sigilos para amaldiçoar nobres, sombras para emboscar caçadores, ou corrupção para transformar cemitérios em armadilhas de carne viva. Alguns faziam pactos com demônios menores, trazendo possessões que deixavam suas vítimas com vozes que não eram suas, mas esses demônios, como todos, permaneciam ancorados no inferno. A magia negra não era nova, mas grimórios antigos, incluindo raros textos inspirados por figuras como GT, davam aos bruxos um poder temido, ainda que ninguém dominasse mais de dois domínios. Na Baviera, em 1600 d.C., o inquisidor Konrad von Falke, um clérigo com um cajado que brilhava contra a escuridão, enfrentou um coven liderado por Eldric, um bruxo que usava um grimório antigo para conjurar sombras e erguer muralhas de ossos. Eldric tentou corromper o campo de batalha, fazendo surgir tentáculos que se contorciam do solo, mas sua inexperiência fez as criações colapsarem. Konrad, com pergaminhos sagrados e exorcismos, dissipou as sombras e quebrou as defesas de ossos, queimando Eldric numa fogueira que iluminou a noite. Uma aprendiz escapou, levando um fragmento do grimório para as montanhas. A Europa viu 50 mil mortes nessa cruzada, muitas de inocentes acusados por vizinhos tomados pelo medo. Fogueiras ardiam em praças, o cheiro de carne queimada pairando como uma maldição. Sobreviventes, poucos e esquivos, esconderam-se em criptas, guardando textos proibidos que mantinham a magia negra viva. O Caça aos Bruxos e Bruxas, com suas 75 mil mortes, foi uma guerra contra uma arte que desafiava deuses e reis. Na Ásia, Fa Ngum trouxe uma paz frágil, mas deixou relíquias enterradas em cavernas. Na Europa, o Sacro Império e o Vaticano reforçaram seu poder, mas a custo de sangue inocente. Até o século XIX, a magia negra era considerada extinta, mas alguns poucos, contados nos dedos, sobreviveram em segredo, escondidos em sombras. GT, não era o criador da magia negra, mas um de seus maiores mestres. Do inferno, onde viveu desde o século XII a.C. até 2023 d.C., ele via seus grimórios inspirarem mortais, mas a magia negra era maior que ele, uma força antiga que persistia apesar das fogueiras.