Holocausto aos Necromantes - O Extermínio da magia proibida

Em 1824 a.C., o mundo testemunhou um dos episódios mais sangrentos e sombrios da história do império religioso: o Holocausto dos Necromantes. Em uma época de dogmatismo extremo, a necromancia — a arte proibida de manipular os mortos e canalizar energias além da vida — era vista não apenas como heresia, mas como uma ameaça existencial à ordem divina e à própria humanidade.

O estopim desse massacre foi a tragédia pessoal do Papa Davidson, o líder supremo do império religioso. Devastado pela perda de sua amada, ele buscou um meio de trazê-la de volta à vida, ignorando os riscos e tabus. Secretamente, Davidson e a elite religiosa procuraram os necromantes, chefiados por Maic, para realizar um ritual proibido de ressurreição.

Mas o resultado foi horrendo. A amada ressuscitou como uma criatura deformada, uma aberração, que não mais lembrava o ser amado. Esse evento chocante corroeu a fé de Davidson, não no dogma, mas na misericórdia divina. Sentindo-se traído, ele virou sua fúria contra os necromantes, responsabilizando-os pelo desastre.

O Papa ordenou um genocídio implacável. Maic foi capturado, torturado e brutalmente humilhado — os relatos mais cruéis falam de abusos cometidos na sua presença, uma forma cruel de quebrar sua alma e servirem de aviso para os demais. Ele foi deixado vivo, não por misericórdia, mas para testemunhar o extermínio de sua raça.

Os necromantes foram caçados como monstros. Povoados inteiros foram invadidos e seus moradores mortos ou capturados. As execuções eram públicas e macabras, destinadas a aterrorizar qualquer um que ousasse desafiar o império religioso. A tortura, o empalamento, as crucificações, as queimadas e estupros sistemáticos se tornaram rotina. Praias próximas a cidades foram tomadas por pilhas de cadáveres, o solo tingido de vermelho pelo sangue, formando verdadeiros “mares vermelhos” que serviam como testemunho silencioso do horror.

Valentine IX, um dos principais agentes do massacre, tornou-se uma figura temida e quase mitológica. Com seus longos cabelos negros, barba curta e bigode, trajava uma roupa branca com capa e gorro adornados com detalhes dourados, refletindo a pompa e o terror do império. Ele empalava os corpos como símbolo de sua fé e usava uma pistola de prata e uma espada mágica que tocava a alma, deixando suas vítimas marcadas para sempre.

Ao longo do holocausto, os necromantes e até pessoas inocentes foram brutalmente assassinados. O povo, seduzido pela retórica do império, via a caça como um ato sagrado, uma purificação necessária. Mal sabiam que estavam sendo manipulados por uma elite cega e cruel.

Porém, a repressão total dos necromantes não durou para sempre. O líder sobrevivente Maic, em sua dor e ódio, fez pactos com entidades demoníacas, transformando-se em um poderoso demônio e vingando-se ao matar Davidson e levar sua alma ao inferno. Esse ato simbólico marcou o fim da era do Papa Davidson e do império religioso em seu formato mais tirano.

Além disso, o colapso do império religioso permitiu que outras forças, como os muçulmanos, conquistassem partes da Europa, expondo a hipocrisia e os crimes da elite religiosa para toda a população, que se voltou contra seus antigos líderes. Muitos membros da elite foram brutalmente executados e humilhados pelo povo revoltado.

Assim, a necromancia, já mal vista, foi praticamente extinta — um capítulo sombrio que se fechou, mas cuja sombra ainda ecoa nas eras posteriores, lembrando que o poder e a fé podem ser armas tanto de salvação quanto de destruição.