Recomendo ler após chegar no arco:
A Queda do Panteão Egípcio e a Sombra do império muçulmano: 2001 a.C. a 1993 a.C.
Em 2001 a.C., o Egito despertou sob o peso de um jovem rei cuja ambição rivalizava com o brilho do sol. Midas, aos vinte anos, tomou o trono com olhos que ardiam como fornalhas, prometendo salvar uma nação à beira do colapso. Templos ruíam, sacerdotes sussurravam sobre a ira dos deuses, e o povo, faminto por esperança, via em Midas um salvador. Mas, nas sombras do palácio, uma figura insidiosa movia os fios do destino: Kabal, um conselheiro envolto em mistério, cujas palavras eram como veneno disfarçado de mel. Ele enxergou em Midas não um rei, mas um catalisador do caos, e sussurrou visões de um império que desafiaria o céu. Midas, seduzido, mergulhou de cabeça, seu coração inflamado por sonhos de eternidade.
O primeiro teste de seu reinado foi um banho de sangue. Kabal apontou para o sul, para uma vila isolada no leste do Sudão, frágil e dividida por rancores antigos. “Mostre sua força”, ele incitou. Midas enviou seu batalhão de elite, liderado por Baruque, seu amigo de infância, cuja lealdade era tão sólida quanto as pirâmides. Entre as chamas do massacre, um adversário inesperado emergiu: Lafite, um deus com cabeça de gato, cuja fama de imortal ecoava pelos desertos. Lafite, portador do Olho Cego, um artefato que distorcia o tempo, desafiou Midas. A batalha foi feroz, o ar tremendo com golpes que pareciam rasgar a realidade. Com Baruque e o batalhão ao seu lado, Midas derrubou o deus, seu golpe final silenciando a imortalidade de Lafite. O Olho Cego passou para o rei, uma herança sombria que se transferia com a morte de seu portador, permitindo desacelerar o tempo em combate. Com esse poder, Midas sentiu-se mais próximo dos deuses que jurara superar.
Em 1999 a.C., aos vinte e dois anos, Midas voltou-se para a transformação do Egito. Kabal, com sussurros cada vez mais audaciosos, o instigou a abandonar os deuses antigos — Rá, Osíris, Anúbis — que ancoravam o reino em tradições milenares. Em um ato que abalou o mundo, Midas firmou uma aliança com o Império Muçulmano, uma potência cuja fé monoteísta colidia com o panteão egípcio. Templos foram selados, sacerdotes exilados, e os fiéis choraram em desespero. Alguns, consumidos pela traição, tiraram a própria vida, seu sangue manchando os degraus de santuários abandonados. A corte adotou práticas muçulmanas, e a islamização começou a remodelar a alma do Egito. O povo se fragmentou: alguns viam Midas como um visionário, outros como um herege. Kabal, sempre nas sombras, observava com olhos que brilhavam como obsidiana polida.
A aliança muçulmana trouxe poder, mas também caos. O panteão egípcio, outrora unificado sob Osíris, entrou em desordem. Deuses foram caçados, seus templos profanados, e devotos que se recusavam a adotar a nova fé eram perseguidos. Osíris, líder da Eneade, tentou apaziguar as tensões em reuniões divinas, mas o rancor crescia, alimentado por Seth, seu irmão, cujo coração guardava inveja e ressentimento. Enquanto isso, Midas, inflamado por Kabal, mirava além do Nilo. Em 1998 a.C., aos vinte e três anos, ele liderou uma campanha contra a Índia, uma terra onde divindades caminhavam entre mortais. A guerra foi um choque de crenças: os exércitos de Midas, fortalecidos pelo fervor muçulmano, enfrentaram deuses vivos. Alguns foram selados em rituais arcanos, outros mortos, seus espíritos desvanecendo como cinzas. A campanha devastou a Índia, destruindo seu equilíbrio espiritual, e o mundo pareceu estremecer. Midas, com o Olho Cego pulsando, erguia-se sobre os escombros, mas a vitória carregava um peso que ele ainda não compreendia.
De volta ao Egito, Kabal voltou sua atenção para os Piromantes, devotos de Rá que manejavam o fogo do sol. Em meados de 1998 a.C., Midas ordenou seu extermínio. Os templos de Rá foram consumidos pelas chamas que seus sacerdotes veneravam, e o sangue dos Piromantes correu como rios escaldantes. O massacre selou a ruptura do Egito com sua fé ancestral, mas também marcou Midas como um monstro. O povo, outrora esperançoso, agora o temia e odiava. Pequenos grupos de rebeldes espirituais surgiram às margens do Nilo, entoando hinos proibidos. Rumores diziam que os deuses preparavam sua vingança.
No mesmo ano, o panteão sofreu um golpe mortal. Durante um discurso na Eneade, Osíris buscava unir os deuses contra o caos. Seth, posicionado atrás dele como guarda, escondeu sua traição sob um véu de lealdade. Sem aviso, ele atravessou o peito de Osíris com uma lâmina, pegando-o desprevenido. Usando o Olho Escarlate, herança de seu poder, Seth fugiu com o corpo do irmão, desmembrou-o em cabeça, tronco, braços e pernas, e espalhou as partes por diferentes regiões do Egito. O assassinato lançou o panteão em um abismo, e a liderança divina ficou em frangalhos. Anúbis, filho bastardo de Osíris com Néftis, assumiu o trono do Submundo, enquanto Hórus, filho mais novo de Osíris, herdou o trono da Eneade como rei dos deuses. Hórus recebeu o cetro de Osíris, imbuído de energia luminosa, e despertou um novo poder, além de portar o Olho Cego. Seu objetivo era claro: vingar o pai matando Seth.
No final de 1998 a.C., Anúbis, agora senhor do Submundo, confrontou Midas em seu palácio. Sua forma de chacal absorvia a luz, e o ar gelava em sua presença. Espelhos tremiam, e as tochas vacilavam. “Teu nome é uma maldição entre os céus”, declarou Anúbis, sua voz como pedras se quebrando em uma tumba. “O panteão sangra por tua causa. Venho não para lutar, mas para advertir.” Midas, com a frieza de um rei que desafiara deuses, encarou-o com o Olho Cego. “O caos é problema de quem o sente”, retrucou. Anúbis não atacou, mas suas palavras pairaram como uma sentença: a eternidade que Midas buscava tinha um preço. O deus desapareceu, deixando um silêncio que pesava como granito.
Em 1997 a.C., o reinado de Midas começou a desmoronar por dentro. Baruque, seu comandante leal e amigo desde a juventude, não podia mais suportar o caminho de destruição. Em uma discussão carregada de mágoa, Baruque acusou Midas de trair seus sonhos, transformando o Egito em um sepulcro para deuses e homens. Midas, ferido pela rejeição, sentiu o abandono como uma lâmina em seu peito. Ele viu Baruque liderar o batalhão de elite para fora do palácio, seus passos ecoando como um adeus final. O ódio por Baruque, que jurara estar ao seu lado, tornou-se um veneno que corroía sua alma.
Entre 1997 a.C. e o início de 1994 a.C., a perseguição aos deuses intensificou-se. Forças muçulmanas caçaram e mataram divindades como Ísis e Néftis, enquanto seus devotos eram massacrados. O panteão, já enfraquecido, desmoronava sob o peso da islamização. Midas, enquanto isso, enfrentava sua própria ruína. Em 1996 a.C., Chadat, seu irmão e portador do Olho Escarlate, herança de Seth, o desafiou em um duelo no Alto Egito. Sob um céu cinzento, os irmãos se enfrentaram, suas lâminas carregando anos de fraternidade e rancor. Chadat, movido por honra, venceu, derrubando Midas na areia quente. Com a espada na garganta do irmão, ele sussurrou: “Se ainda houver humanidade em ti, recomece.” Chadat poupou Midas e partiu, mas a clemência foi uma humilhação pior que a morte. O ódio de Midas por Chadat, que o abandonara como Baruque, queimava como fogo.
Naquela noite, sob uma lua cheia, Kabal reapareceu. Seus olhos eram abismos, e seu sorriso, uma promessa de danação. “Te negaram o trono que mereces”, disse. “Eu te dou o toque dos reis.” Ele ofereceu o Toque de Ouro, um poder que transformava tudo em ouro. Midas, consumido por raiva, aceitou. A areia ao seu redor brilhou, tornando-se metal precioso. Horas depois, Midas retornou ao palácio. A notícia ecoou: sua prometida, filha do rei muçulmano, havia chegado. Ele correu para recebê-la, e ela abriu os braços, sorrindo. Midas hesitou, mas o amor venceu. O abraço veio, e com ele, o silêncio. O corpo dela endureceu, seus olhos perderam a vida, e o ouro a engoliu, congelando-a em um sorriso eterno. Midas caiu de joelhos, gritando seu nome, o ouro em suas mãos queimando como uma maldição.
Semanas depois, o Império Muçulmano, enfurecido, rompeu a aliança e declarou guerra. As defesas de Midas, enfraquecidas pela revolta popular, cederam. Desesperado, ele buscou Nafret, sacerdotisa renegada de Anúbis. No templo escurecido, Midas implorou pela ressurreição de sua amada. Nafret, com olhos sem piedade, tocou sua testa com tinta negra. “Você destruiu o sagrado e agora pede milagres”, disse. “O Duat não aceita teu ouro.” Ela o amaldiçoou, e nos dias seguintes, Midas tossiu sangue, seu corpo definhando, o Toque de Ouro consumindo sua carne.
Em 1995 a.C., aos vinte e seis anos, Midas era uma sombra, isolado em um palácio em ruínas. Um médico deu o diagnóstico: “Não verás o próximo inverno.” Midas, febril, sorriu com rancor. Visões de glória misturavam-se com memórias de Chadat e Baruque, seus rostos marcados por decepção. “Se eu cair, que caiam comigo”, murmurou, desejando suas mortes. Suas palavras ecoaram no plano espiritual, atraindo forças infernais. Baruque e o batalhão retornaram, mas Kabal ofereceu um pacto final: poder absoluto por um sacrifício supremo. Em um ritual profano, Midas tocou cada soldado com o Toque de Ouro, transformando-os em estátuas na frente de Baruque, cujo rosto se contorceu em horror. “Vocês me abandonaram”, sussurrou Midas. “Sintam minha dor.” O pacto selou sua danação, e Midas perdeu o trono, desaparecendo em um Egito devastado.
Enquanto Midas caía, o panteão enfrentava seu fim. Em 1994 a.C., Rá, abalado pela perda dos Piromantes e pelo caos, enfrentou Apófis, sua serpente arcaica, no Duat. A batalha foi brutal, mas Rá, psicologicamente destruído, foi derrotado e engolido, simbolizando o apagamento do sol. No final daquele ano, Hórus encontrou Chadat, agora conhecido como o “herdeiro do ódio” por sua ligação com Seth e o Olho Escarlate. “O que queres?”, perguntou Hórus. Chadat respondeu: “Ser mais forte para matar Midas, meu irmão traidor.” Hórus viu que Chadat, consumido pela vingança, não ameaçava o panteão e poderia ser útil. Chadat revelou seu plano: matar o imperador muçulmano para encerrar a guerra.
Em meados de 1993 a.C., Chadat invadiu o centro político muçulmano após uma reunião, encontrando o imperador muçulmano, que roubara um Olho Cego e compartilhava seu poder com um parceiro. Os muçulmanos usavam técnicas de enxerto, fundindo partes de corpos e armas. Chadat, infiltrado, enxertou olhos em seu braço esquerdo, sacrificando um a cada uso do Olho Escarlate. Na sala, ele provocou o imperador: “Esse olho ainda enxerga?” O imperador vangloriou-se, mas Chadat, com fúria, declarou: “Vou mostrar o que um prodígio de sangue puro egípcio pode fazer.” A batalha foi acirrada, mas Chadat venceu, matando o imperador e encerrando a influência muçulmana. O Egito, porém, carregava cicatrizes permanentes: templos destruídos, fé abalada, e uma nação marcada pela guerra.
Enquanto isso, Hórus rastreou Seth no deserto. Sob um céu vermelho, os deuses se enfrentaram. “Por que, Seth?”, perguntou Hórus, sua voz carregada de dor. “Osíris nos guiava, e tu o traíste.” Seth, com um sorriso torto, respondeu: “Ele era fraco, Hórus. O Egito precisava de força, não de discursos. Junte-se a mim, e seremos deuses verdadeiros.” Hórus, com o cetro de Osíris brilhando, recusou: “Tua força é veneno. Pagará pelo sangue de meu pai.” A luta foi épica, o deserto tremendo com golpes divinos. Hórus, com extrema dificuldade, combinou o cetro, o Olho Cego e seu novo poder, desferindo um golpe a queima-roupa que selou os braços de Seth. No limite, Seth usou o Olho Escarlate para fugir, vivo, mas derrotado. A queda de Seth marcou o fim dos eventos principais da derrocada do panteão.
No mesmo ano, Chadat cruzou o caminho de Seth, agora um deus ferido e enfraquecido. Seth tentou manipulá-lo: “Chadat, meu herdeiro, juntos podemos destruir teus inimigos.” Chadat, com olhos frios, retrucou: “Não preciso de ti, Seth. Sou mais forte agora.” Ele tentou selar Seth em um caixão do Duat, mas Seth, em um último esforço, arrastou Chadat consigo. Ambos foram selados no Duat, condenados a uma eternidade de escuridão. Seth, o traidor, e Chadat, o herdeiro do ódio, desapareceram, encerrando a saga de vingança que devastou o Egito.